18.2.11

O Chico

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Eu não tenho mais ido na praça, por vários motivos: um que eu tenho tido muito sono e outra que como sabem, a praça não é o lugar mais adequado pra desestressar, muito pelo contrário, ô gentinha estressante hauehahau

Meu pai foi uns três dias direto, com a Xira. Hoje não. Mas tem um motivo... um motivo black & tan, magrelinho, fofo e querido: o Chico.

Eu tirei várias fotos dele, mas as usb do meu pc estão estragadas e minha mãe tá com o cabo da minha câmera, mas tentem imaginar: um mesticinho de teckel (o linguicinha), preto com manchas marrons, rabo comprido, pêlo brilhoso, orelhas caídas (menores que as dos teckeis puros, ficando em pé e "meio em pé"), pêlos beges em alguns pontos do corpo e sobrancelhas redondinhas marronzinhas. Enfim, um doce e apertável cãozinho!

O Chico tem entre 7 e 9 meses, recém terminou a troca dos dentes, é vacinado, não é castrado e mija por toda a casa. Caga por tudo também. E é mais comilão que a Xira.

Ontem meu pai chegou em casa e eu acordei com a movimentação toda: tinha um casal com dois cachorros aqui, uma golden chamada Raika e o Chico. Aí o Chico já demarcou território e etc e tal e a Xira já avançou nele duas vezes (e ele nem deu bola) e a Raika comeu toda a comida deles e enfim, foi divertido. O Chico foi achado em Santa Catarina e eles procuraram mas não encontraram os donos. Meu pai acha que ele tinha uma dona, porque o bicho é muito apegado a mim.

Então, o Chico encontrou a Xira, e os dois se apaixonaram um pelo outro - força de expressão. A Xira não deixa o Chico em paz e vice-versa. Neste momento, Xira tá na sacada e Chico dormindo do lado da cadeira do meu computador.

Ele também se botou na Xira. Avançou e tudo. Rosnou quando tava comendo e é muito ciumento. Mas em geral, é um doce. Hoje de manhã a Xira bateu nele porque ele não parava de brincar.

Daí, pela tarde, chega a minha mãe em casa. Ela vai me acordar e o Chico pula na cama e eu, acordando com o pulo dele, termino de ser acordada pelo grito da minha mãe: MEU DEUS, O QUE É ISSO?
Eu respondi que era o Chico, da praça, que o pai trouxe e ela virou: agora teu pai tá roubando cachorro? Vocês vão ser presos!

Aí explicamos. Ela quase surtou. Mas ela não mora mais aqui, tem nada que se meter.

No passeio eu encontrei a moça que ajudou a cuidar da Xira na doação, ela veio toda feliz, me perguntou o nome e conversou bastante, bem querida ela. Me contou a história da Xira, tudo o que ela passou, por onde ela andou e como ninguém quis ficar com ela por uma noite que fosse.
Aí eu disse que bom por isso, já que a Xira não se dá tão bem com outros cães (apesar de ela adorar o Chico e ser tri paciente com o Gugui).

Por enquanto, é isso (:

31.1.11

A Dog Year

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A Dog Year é um filme baseado em um livro de mesmo nome. Não sei os detalhes sobre o livro porque, pra falar a verdade, eu nem sequer sabia que era um livro e baixei o filme pensando que ia ser aqueles que a gente olha e já nem quer mais saber. Achei mesmo que ele seria merecedor de um espacinho na minha Lixeira. 

Mas, veja só como é a vida, não é que é bom? Melhor - em muitos níveis e sentidos - que Marley & Eu.
O filme trata da história verídica de um escritor com problemas com a mulher, com dois labradores já idosos, uma filha na faculdade e um contrato a ser cumprido. 
Ele precisava escrever aquele livro, se não seria processado, mas as idéias não vinham.
Então ele adota esse Border Collie resgatado. O cão assustado, no mesmo dia em que é enviado ao escritor, foge aeroporto afora, com o presente dono atrás. Ele rosna e late, mas é pego. Todos aplaudem - um pouquinho de drama nessa parte. 

Ele leva o cão na veterinária dos labradores dele, que percebe que o cão abandonado além de trauma de seres humanos, também tem uma doença de pele nojentinha. Ele fedia e tinha caspas. Foi pro banho pra tratar a tal seborréia. 
Já em casa o cão é um atentado. Abre a geladeira pra roubar comida! Sobe estante pra comer ração. Foge todo dia pelo bairro, assustando a vizinhança que insiste pro cara devolvê-lo dizendo que ele é bravo, ele sobe num carro, avança num cachorro, corre pelo pátio durante horas. 



O escritor, sendo escritor, pega vários livros sobre a raça e faz um estudo profundo sobre ela e acaba indo parar numa fazenda que ele aluga, só pelo cachorro. Faz um cercadinho pequeno, pra ele correr à vontade sem sair por aí perdido pela cidade. Fica sem telefone, sem uma torneira que preste, a fazenda caindo aos pedaços... Evita contato com os vizinhos, ele pretendia ficar lá só até o cão melhorar o temperamento pra voltar pra cidade. Então ele consegue o contato de uma senhora que dá aulas de pastoreio pra cães. Ela dá um sermão nele, diz que o perdido é ele e não o cão. 
Que o cão é um reflexo dele, ou algo assim.

No final, ele pede pro vizinho arrumar a casa, decide comprá-la e se mudar com a família. Tudo pelo Davon, o Border Collie atentado adotado abruptamente; o cão que todos mandavam se livrar porque seria mais fácil. Nesse meio tempo vem a idéia de escrever o livro, e ele escreve durante o dia todo. Quando se dá por conta, cadê o Davon?
Ele chamou desesperado, a porta de casa aberta. E foi atrás, parando no pátio, procurando aos redores. Quando vê, o Davon aparece atrás dele, sem entender bem o porquê da gritaria. 

Lembra alguém?



Não?



Xira fugia e não foge mais. Xira abria a porta pra sair e se jogava contra ela quando não conseguia, comportamento que eu nunca mais vi ocorrer. Eu e meu irmão, às vezes até meu pai, saíamos dia/noite/madrugada adentro procurando e chamando por ela com a guia na mão, esperançosos. Xira avançava demais nos outros cachorros, o bairro todo odeia ela. 
Só falta eu comprar a fazendinha. 

É um bom filme sobre cachorro.

Um pouco de compreensão, enfim!

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Imagino que tenha aquelas pessoas que volta e meia leiam sobre a Xira. Pelo menos as Estatísticas do blogger me informa que tem.

Dito isso, talvez você tenha lido sobre a má-fama da Xira. Sobre o ódio das pessoas para com ela, chegando até a ser agredida por um dono de cão, me fazendo acreditar que aquele ditado "quem não gosta de bicho não é boa coisa" não seja de todo mentira. Ouso dizer que até quem gosta pode ser perigoso. Alguns têm animais e demonstram afeto, mas na hora de corrigir pisam na bola, ou se irritam demais e passam a agredir seus próprios animais, assim como é com pais e filhos por todo o país. Tolerância é diferente de amor, e a falta de tolerância e a apelação é que são perigosas.

Se vocês leram o post do dia em que a minha cachorra foi agredida, imagino que vocês sentiram parte da minha angústia e raiva. Mas hoje, ah! Hoje eu venho com uma boa notícia. Pra variar.

Vamos chamar a cachorra mestiça de pit bull de Briga. Eu ainda não sei o nome dela - e nem me interesso em saber -, mas "cachorrona" e "cadelona" são dois adjetivos que já desgastaram minha língua e meus ouvidos. E até meus olhos, em caso de leitura e digitação.

Então: a Briga foi ontem pra praça. Xira brincando com o Nhoque, no que eu só vejo a Briga com guia arrastando no chão, presa à coleira de pescoço dela, indo pra cima da Xira. Direto. Nem chamou pra um cafezinho antes, ou um jogo de damas, nada. Partiu pro ataque convencida!
Todo mundo atrás, eu gritando o nome da Xira, meu pai assobiando, uma bagunça! E o dono da Briga, onde estava nesse meio tempo? Não sei dizer. Em algum ponto atrás de mim, eu acho. 

Contivemos a Xira - mais especificadamente, meu pai. Eu estava, pra dizer o mínimo, animada por uma discussão com aquele homem, o dono da Briga. Uma troca de idéias, quem sabe? Um papinho sobre nossas cadelas? Uma amostra grátis de simancol?

Gabriel (um dos meus amigos da praça), de 11 anos, comunicou-me que quando fomos embora, o dono da Briga também foi. Só esperou nós saírmos. O que prova que ele está indo pra implicar. Não? Quem é que se dá o trabalho de ir pra praça pra soltar o cachorro e vai embora em seguida que a "problem dog" sai? Se fosse o oposto, eu daria graças a Deus e ficaria com a Xira lá, afinal, o problema foi embora e sem  discussões acaloradas. 

Então hoje veio a dona da Lola. É, aquela dona chata que eu já tava saturada e xingando pelos cotovelos. Hoje, ela ganhou um ponto a mais na minha concepção. Hoje, ela pareceu mais humana, mais passiva e calma, mais inteligente, mais gentil. Ah, não comigo, claro. Comigo ela falou do mesmo jeito e me olhou da mesma forma. Mas pensando bem, ela é a única que fala comigo como se eu tivesse a idade que tenho. O resto me vê como uma criança de 12 anos (e eu pareço mesmo) e ignora meus comentários e até mesmo minha presença. "Papo de adulto criança não se mete".

Mas não vim falar de mim. O post e o blog são sobre a Xira. Então, continuemos:
Conversamos sobre o ocorrido naquele dia da agressão. 
- Mas nem foi a Xira que começou, tadinha da minha filha. Ela foi cheirar o Nhoque e a cachorra se botou nela com tudo, nem deu tempo de nada. 
- É mesmo?
- Aham. E ao invés dele segurar a dele, ou mesmo a minha, foi e chutou a Xira, coitada.
- Chutou?
- Foi.
- Que cara doido! Mas eu já notei que ele não faz nada em relação à cachorra dele, ele é novo na praça. (Ok, eu também sou, e daí?)
- É, ele é mesmo. 
- Mas ele tem que pôr uma focinheira na cachorra dele se ele quer deixar ela solta!
- Sim! Eu botei na Xira na pior época dela e foi o que melhorou o comportamento. Ela tá muito mais tolerante agora. 
- Agora que a tua se acalmou vem essa pra estragar a tua cachorra.

Não tem o que descreva o que eu senti nesse momento. Um sentimento bom, como quando concluímos um grande projeto que levou muito tempo, que gastou muitas horas da nossa vida e que por várias vezes pareceu não dar certo, sendo então reconhecido. Às vezes eu me sentia decepcionada com a Xira e as pessoas na praça, a reação que ela gerava, de repulsa e medo. Às vezes eu me peguei chorando pela Xira, pelo jeito que tratavam ela, pela incompreensão e ignorância do povo, pela falta de companheirismo e até de apoio. Pra mim, essa frase teve um baque tão positivo que eu sinto que tenho a melhor cachorra do mundo. Teimosa, de personalidade forte, explosiva, mas ao mesmo tempo tão inteligente quanto aquele cachorro que sabe mais de 400 palavras, um Border Collie. A evolução que ela teve, de um cachorro do mato pra uma cachorra que tolera outros cães, pequenos animais, homens - jovens e velhos -, faz dela a melhor cachorra do mundo. Pra mim. 

Admito que fiquei chocada com essa frase. Foi quase um elogio, mas serviu tão bem quanto. E não parou por aí. Ela ainda me disse que a Rita (dona da Lilica e do Frederico) e os outros que pararam de ir por causa da Xira, estavam pensando em voltar a frequentar a praça naquele horário, porque já foi reconhecido que a Xira está bem melhor, que ela evoluiu e agora consegue aceitar a presença de outros cães. Ela não é perfeita, é claro. Nenhum cão é. Nenhum dono é. Mas não se passou nem um trimestre desde que começamos a incentivar a sociabilização e a tolerância dela para com outros cães e pessoas.

Nos decepcionamos muito, é verdade. Teve momentos que eu quis sumir do mapa. Aquele momento que ela foi pra cima do maloqueiro. Ou aquele que ela mordeu o Badu, amiguinho dela. Ou o Nhoque, ou o Ed. Cães que ela sempre se deu bem e de repente, ela não queria mais saber. 
Também teve momentos em que eu me sentia mal e envergonhada. Como quando ela latia para cachorros, gatos e maloqueiros do outro lado da rua e me arrastava por quase 1m. E ainda tem as decepções dentro de casa: as duas vezes que ela avançou no Gugui, a vez que ela avançou no meu irmão, a vez que ela enfrentou meu pai rosnando pra ele, a vez que ela rosnou e segurou minha mão com a boca por causa do osso, a vez que ela conseguiu arrancar a minha unha postiça - e doeu muito - quando eu ia colocar a coleira dela pra saírmos, a vez que ela foi mordida pela Mel e furou a orelha dela.

Xira é uma cachorra difícil de lidar. Mas também é a prova de que todo animal tem recuperação, mesmo que o caso dela não seja dos piores, mesmo que eu não tenha experiências horrendas pra contar. Pra mim, essa experiência foi horrenda. Isso porque eu sempre tive cães bem socializados, bem comportados, pouco barulhentos, obedientes, treinados. Meu único estresse era o puxão que a Lil dava na guia quando eu passeava com ela. 
Então que base eu tenho pra lidar com uma cadela como a Xira? Nenhuma. Treinos de obediência básica não resolveriam o meu problema. Treinador? Não trabalho, meus queridos, tenho 18 anos e ainda estudo, não tenho como pagar e meu pai não apoiaria. Vê o treinador como uma escola militar ambulante.

O que acontece é que depois de o quê? Dois meses frequentando a praça, tendo colocado focinheira uma época, tendo andado presa na guia o tempo todo, agora Xira tem liberdade condicional todo domingo - passeia com o meu pai pela manhã sem guia, dando a volta na quadra com ele e voltando pra casa sem maiores transtornos, sem fugas ou mordidas -, tem liberdade de sair da praça para se esfregar no que quiser - seja gramado, cocô, defunto; nada que um banho não resolva depois - sempre voltando quando chamada e, numa possível fuga, até demonstrando obediência (senta e deita) sem guia, sinais ou qualquer outra coisa do gênero, apenas entendendo as palavras e a necessidade de obedecer naquele instante em que tudo dá errado e além de tudo isso, de repente, ela mostrou mais um avanço: hoje pela manhã, no passeio sem guia semanal dela, passou um maloqueiro e ela nem o olhou. Há um tempo atrás, ela teria ido atrás, corrido e perseguido a pessoa. Esses dias mesmo, como eu postei, tirei uma carne que me fez desconfiar do pessoal da praça da boca dela. Antigamente, esse ano geraria um provável rosnado ou até uma mordida de aviso, como foi com o osso. Dessa vez ela não resistiu, nem tentou pegar de novo a carne. Quer cadela mais obediente e inteligente que essa?

De repente, ela é que apanha de uma cachorra. De repente ela obedece e fica por perto, quando vê, tá até comendo na mesa de garfo e faca.

Xira é a pior cachorra que eu tive, sendo a melhor de todos. 

29.1.11

Xira, a terrível

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Xira conseguiu arrebentar o mosquetão da guia. Não lembro de ter postado isso e fiquei com preguiça de procurar. 

Meu pai amarrou ela na grade do relógio d'água do salão da minha mãe e entrou (tenho a leve impressão de já ter escrito isso), passou um maloqueiro e ela, com toda a força foi pra cima, provavelmente achando que ia ser segurada. Não deu em nada, claro.
Minha mãe não gosta da Xira por ela ter furado o olhinho do Gugui. Nisso, ela comentou que eu disse que ela era adestrada. A Xi é adestrada, ela obedece tri de boa. Mas isso quando quer. É muito inteligente e muito teimosa. 

Nisso, minha mãe saiu gritando: - SENTA XIRA, SENTA! SENTA! 
E ela sentou. No que a minha mãe virou e continuou: - XIRA, TE DEITA AÍ E FICA QUIETA! 
E a cachorra deitou.
A Vânia, me contando, ria e ria no telefone, dizendo que a minha mãe não esperava que ela fosse obedecer, que ela ficou de cara porque a cachorra obedeceu. hahaha

28.1.11

Loucura Total

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É, quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu descubro que são loucas. Essa coisa de que de perto todo mundo é louco é trova. Todo mundo é louco e não precisa chegar perto pra saber, não. 

O cara que espancou a Xira conversou de boa com o pai. O cagão - por falta de definição melhor praquele animal - ficou sem graça quando viu que a Xira era do pai, por ter espancado ele na frente, porque, é claro, isso dá processo.
Aí, nós saímos, e ele disse - meus amiguinhos me disseram rsrs - que iria frequentar a praça só de provocação agora. Como assim? O que fizemos? Energúmeno.

Minha mãe deu a idéia de eu mandar um e-mail pra Arpa. Mas acho que só se ele for pego em flagrante pra acontecer algo com ele. Vou começar a levar meu celular pra praça, aí qualquer coisa ligo pra brigada. Eles levariam ele preso. Haha.

Aí eu disse pro meu  pai que agora tava com medo de que esses doidos envenenassem a Xira. Não é que no dia seguinte tinha pedaços de churrasco por tudo quanto era canto? Churrasco? Sério? Quem joga churrasco fora? E uns baita pedações! Foi ela pôr na boca que eu tirei. A Xira é possessiva com comida, não sei como que ela deixou quieto. Aí chutei pro outro lado e ela nem foi atrás. Papai do céu existe minha gente.

Enfim, decidi que não vou fazer nada a respeito. Se ele agir contra a minha cachorra, eu vou brigar com ele por defesa e só. Porque aqui se faz e aqui se paga, então ele vai ver. Não é a cachorra dele que vai pagar, é ele. A vida é cíclica, isso é comprovado.

Meu pai matava pombos e passarinhos. Encontrou um pombo e teve que cuidar. Um passarinho entrou em casa, um filhote, e ele teve que cuidar pra Xira não pegar, apesar de ela ter só "pastoreado" o bichinho. Essas coisas acontecem. Acho que a vida é um grande aprendizado, e uma hora ele vai aprender. Ou não.

Também não importa. 

Hoje meu pai saiu de manhã com a Xi e ela arrebentou a coleira. Não a corda, o gancho. Aí ele colocou duas argolas pra segurar o gancho no ferrinho dele. 
O que aconteceu foi que ele amarrou a Xira na grade do relógio da água do salão da minha mãe e entrou. Passou um maloqueiro ou negro, agora não sei bem, e ela foi pra cima. Ela nunca mordeu ninguém, mas ela assusta. Enfim, deu que ela puxou com tanta força que arrebentou haeuheuaheu Sorte que ela não tem fugido, aí meu pai pegou e minha mãe amarrou a guia na coleira dela e eles voltaram. 

Hoje, na praça pela tarde, a dona da Mel - aquela cocker que ela machucou - largou a Mel de um lado. A Xira foi até metade da pracinha, acho que pra averiguar quem era, e então voltou. Não se meteu com a cocker e nem a cocker com ela, super tranquila. Meu pai acha ela braba, mesmo tendo um cachorro lá pela infância que mordia gente, cachorro e matava ovelha. Esse sim era brabo! Deram até facada no cachorro! Tentavam envenenar ele e tudo. O cachorro viveu plenamente e morreu de causas naturais. Que ironia...

Se fosse ele o chutado pelo cara, o cachorro tinha brigado com os dois, destroçado o pé do cara e talvez até deixado a cachorra super machucada. Ouso dizer que ele poderia ter matado ela. Mas a Xira não morde, só faz barulho. É de assustar, mas eu continuo indignada com o exagero dele. E ainda provocativo! Ir pra praça só pra birrar com a gente. A cachorra dele nem machucou a Xira, o que ele quer? Provavelmente pediram pra ele ir, pra ver se a gente "experimenta do próprio remédio" com a cadela dele. Sei lá. 

Gente doida.